Café com Empreendedorismo Beira encerra o ano em formato de perguntas e respostas

A 3.ª edição, no Café de Mel, juntou três empreendedores para debater vendas, clientes, prazos e gestão do dinheiro.
A 3.ª edição do Café com Empreendedorismo Beira realizou-se no sábado, 3 de Outubro de 2026, pelas 10 horas, no Café de Mel. Organizada por Shirley de Sousa, a sessão encerrou o ano da iniciativa e abriu com uma oração dirigida pela própria organizadora.
Um formato novo
A proposta desta edição foi diferente das anteriores. Em vez de palestra, a oradora e também painelista lançou perguntas e o painel respondeu, com o objectivo de aumentar a compreensão dos participantes.
O painel
- Dra. Simone Sagatto. Com percurso pela Malásia e pelo Brasil, é empreendedora na Beira, líder e mãe. Tem a empresa Salto, em Maputo, e é cofundadora da marca Activa Moda Fitness.
- Dra. Alima Camacho. Empreendedora e mãe, com funções de liderança e docência.
- Dr. Casimiro Mendonça. Fundador e líder de uma instituição de microcrédito.
Dizer não é competência
As primeiras perguntas foram provocadoras. Quem separa a conta móvel pessoal da conta da empresa? A resposta foi que lucro e venda não são a mesma coisa. Dizer não é falta de gestão? A resposta do painel foi imediata: não. Ajudar tem de ser sustentável, com limites claros: o dinheiro emprestado tem de gerar valor e trazer retorno, mesmo entre familiares.
O que ficou do encontro
A conversa decorreu em tom descontraído e juntou experiência prática e aprendizagem. Sem palestra, as oradoras e o orador partilharam casos reais dos seus negócios, e a sala foi chamada a participar. As lições que ficaram foram quatro:
- O dinheiro da empresa não é o do empresário.
- A venda só termina na recomendação.
- Os clientes escolhem-se e conhecem-se.
- Os prazos comunicam respeito.
A empresa não factura para pagar o custo de vida
O painel alertou para a corrida dos ratos. Se a receita não for contida, o empresário torna-se empregado da própria empresa e os gastos crescem de forma desproporcionada. Elevar o padrão de vida leva ao mesmo ciclo. A receita deve fazer a empresa crescer e o dinheiro deve trabalhar para quem empreende, e não o contrário.
A venda não termina no pagamento
A venda só termina quando o compromisso é cumprido, a reclamação resolvida e o cliente recomenda. O follow-up mantém o ciclo aberto. Quando se perguntou quem o faz, foram ínfimas as pessoas que levantaram a mão. A visibilidade traz as primeiras compras. A experiência traz as seguintes.
A visibilidade traz as primeiras compras. A experiência traz as seguintes.
Escolher e conhecer os clientes
A recomendação foi actuar como sniper, não como pescador: definir o cliente que se quer antes de lançar a rede. Há clientes que é melhor não ter. Reduzir a carteira pode ser a forma de conseguir descansar, e manter um histórico de cada cliente ajuda a decidir como o tratar. Uma agenda cheia sem pagamentos a entrar gera custos de tempo, de transporte e de cobrança.
Prazos
Atrasar um prazo é a forma mais eficiente de dizer ao cliente que não é respeitado. O método indicado: avisar cinco ou seis dias antes, com nova data.
Trabalho de casa
Os participantes levaram três exercícios:
- Conhecer o custo de vida pessoal.
- Definir numa frase o que a empresa vende e porque é diferente.
- Identificar os 20% de clientes que geram 80% da facturação.
Encerramento
No final, a organizadora entregou um presente às oradoras e ao orador, em agradecimento pela partilha, e deixou aos presentes uma mensagem de agradecimento e de conselhos. Foi o momento de maior emoção do encontro.
Leitura INNOVA
Do ponto de vista da comunicação, o encontro reforça uma ideia: publicar e anunciar dão visibilidade, mas só a experiência do cliente sustenta a venda. A INNOVA, empresa de marketing e comunicação sediada na Beira, regista a iniciativa e agradece à organização.

